Allan Kardec



Hippolyte Léon Denizard Rivail - Allan Kardec - nasceu na cidade de Lyon, na França, a 3 de outubro de 1804. Iniciou os estudos na sua terra natal. Aos doze anos de idade foi para Yverdun, na Suíça, onde, sob a direção do célebre professor Pestalozzi, aprimorou seus conhecimentos, chegando mesmo a substituir, muitas vezes, o grande mestre, quando este se afastava do instituto, para atender a outros compromissos, fora.

Kardec fez, também, um curso de línguas. Conhecia o alemão, o inglês, o italiano, o espanhol, o holandês e possuía ainda sólida cultura científica.

Publicou vários trabalhos importantes, na época, tais como:
- Curso Prático de Aritmética
- Gramática Francesa Clássica
- Manual de Exames para os títulos de capacidade Programa dos cursos usuais de Química, Física, Astronomia e Fisiologia
- Catecismo Gramatical da língua francesa para os iniciantes do idioma e outros trabalhos didáticos.

Além dessas, citaremos as da Codificação espírita, que são cinco obras que constituem o chamado Pentateuco espírita.
- O Livro dos Espíritos em 18 de abril de 1857
- O Livro dos Médiuns em janeiro de 1861
- O Evangelho Segundo o Espiritismo em abril de 1864
- O Céu e o Inferno em agosto de 1865
- A Gênese em janeiro de 1868

Depois destas Kardec escreveu, ainda:
O que é o Espiritismo
O Principiante Espírita
Obras Póstumas, que foram publicadas após sua morte. Fundou também a "Revue Spirite", em janeiro de 1858, que editou até o ano de 1869.

Os Espíritos revelaram que Allan Kardec vivera, em uma de suas encarnações, na Gália, e seu nome era o pseudônimo por ele usado agora e que em outra encarnação, fora João Huss, condenado a 6 de fevereiro de 1415 e executado nas fogueiras da inquisição, porque pregava contra a injustiça daqueles que detinham o poder nas mãos.

Em 1854, Kardec ouvira falar das chamadas mesas girantes. Seu amigo Fortier, que estudava magnetismo, disse-lhe que acabava de descobrir uma nova propriedade magnética: as mesas, além de girarem, também respondiam perguntas a elas formuladas. Kardec revida esta afirmativa, dizendo: "Só acreditarei se me provarem que as mesas têm um cérebro para pensar e nervos para sentir. Enquanto isso, permita-me considerar esse fato como uma história fabulosa".

Carlotti, outro amigo seu, faz-lhe referência sobre a comunicação dos Espíritos; o Mestre torna-se, agora, interessado no assunto. Vai a casa da Sra. Planemaison e, através de sua mediunidade de efeitos físicos, verifica que, realmente, as mesas falam. Rende-se ele à evidência dos fatos. Mas não parou aí. Viu nesse passatempo alguma coisa de importante.

Precisava investigar e descobrir as causas que davam origem a esses interessantes fenômenos. Através da faculdade das meninas Baudin, viu a escrita por intermédio da cesta. Por esse processo eram dadas respostas, com exatidão, às perguntas formuladas aos Espíritos. Não havia dúvida: estava mesmo diante de um fato novo, que merecia carinhoso estudo. Passou, então, a fazer observações através do método experimental, pois havia percebido que os fenômenos eram produzidos pelos Espíritos dos que já viveram na Terra.

E, assim, pelas informações prestadas por essas entidades comunicantes, Allan Kardec escreveu "O Livro dos Espíritos", obra básica da doutrina Espírita. Acresce esclarecer, ainda, que essa monumental obra não foi concebida por um filósofo ou ditada por um Espírito: ela é o resultado das revelações de muitos Espíritos, todas concordantes, vindas por diferentes médiuns, em lugares diversos.

Essas comunicações passavam pelo crivo da razão do Codificador, que as analisava, comparava, discutia e só as aceitava depois de verificar que se achavam isentas de quaisquer dúvidas.

Allan Kardec recebeu a notícia de que estava encarregado da Codificação, pela médium Srta. Japhet, tendo seu guia lhe dito: "Não haverá diversas religiões nem há mister senão de uma, que é a verdadeira, grande e digna do Criador... Seus primeiros fundamentos já foram lançados..." "Haverá muitas ruínas e desolações; são chegados os tempos para a renovação da humanidade."

Como se vê, Kardec fora, realmente, escolhido pelo Cristo para o cumprimento da sublime missão de codificar o Espiritismo. E a escolha não poderia deixar de ser esta, uma vez que o Mestre possuía todas as qualidades indispensáveis ao cumprimento dessa grande e árdua tarefa. Além de filósofo, benfeitor e idealista, era dotado de um coração boníssimo, o que lhe dava condição para o cumprimento do lema da Doutrina nascente: Fora da caridade não há salvação.

Por motivo de um aneurisma e esgotado pelo exaustivo trabalho realizado em tão pouco tempo, o grande missionário de Lyon veio a desencarnar no dia 31 de março de 1869. À beira da sua sepultura, Flammarion, seu fiel seguidor, pronunciou estas palavras: "Ele porém era o que eu denominarei simplesmente o bom senso encarnado".

Concluindo este capítulo, em o qual apreciamos rapidamente a obra incomparável de Kardec, lembremos de que ele não morrera, passara para a espiritualidade após cumprir a gloriosa missão que lhe fora confiada, legando à posteridade a imortal obra da Codificação, segundo os planos traçados por Jesus, diretor de nosso Orbe.