Santa Rita de Cássia




Era uma linda jovem, que desejava a seguir a carreira religiosa. Certo de que não a demoveria de tal intento, o pai fá-la casar-se à força com o primeiro homem que surge na rua, matrimônio esse do qual lhe nascem dois filhos.

Unida a um homem estúpido e ignorante, é cruelmente surrada todos os dias. Por seu gênio violento, o marido é bruscamente assassinado, obrigando-a, agora, além da luta pela sobrevivência da família, a amargar no coração os juramentos de vingança dos filhos contra o assassino do pai, sendo infrutíferos quaisquer conselhos no sentido de demovê-los de tal intento.

Ante a sombria perspectiva de ver os filhos transformados em assassinos, pede a Deus, em súplica fervorosa, que os levasse de si. É atendida, pois em pouco tempo ambos adoecem e desencarnam.

Refeita de mais essa dupla provação, busca então o convento, para realizar o antigo sonho, mas esquece-se que os conventos só aceitam moças virgens, o que não era o seu caso, pois já fora casada e mãe.

Torna ao lar desarvorada, e durante toda a madrugada, banhada em lágrimas, suplica a ajuda e a orientação de Santo Agostinho. Desperta com batidas na porta. Ao abri-la, vê ali, diante dela, o próprio santo! Assustada, mas amparada por uma fé inquebrantável, descreve-lhe seu drama.

Apesar da recusa da madre superiora, o santo promete-lhe levá-la ao convento. Quando chegam ao alto portão, desmaia e desperta no interior do claustro, onde é surpreendida pela madre superiora, a quem confessa que fora o próprio Santo Agostinho quem a levara até ali.

A madre apanha então um cajado, enterra-o no jardim e avisa-a:
- Se foi realmente como dizes, amanhã cedo este cajado dará flores.

No dia seguinte, o cajado amanhece cheio de flores e ela é admitida à vida monástica com que tanto sonhara!

Devemos notar que Santo Agostinho já havia desencarnado há muitos anos, mas materializa-se para atender a um pedido cheio de méritos; transporta-a para dentro do convento, apesar dos altos muros e dos fortes portões; finalmente, faz nascer flores de um bordão enterrado no jardim.

Não obstante, a Igreja ainda teima em não crer na influência dos espíritos sobre nossas vidas, nem nos fenômenos mediúnicos citados neste relato, nem na força da fé e dos méritos que tornam possível a realização daquilo que pedimos com coragem e determinação.

Foi no que acreditou a protagonista desta história: Santa Rita de Cássia!