As três sementes




Todas as semanas, há alguns meses, um grupo de simpatizantes da doutrina espírita se reunia para estudos no casarao do Dr. Oliveira, em Petrópolis.

Convidado por um amigo, fui participar de uma dessas reunioes. Em torno de uma mesa no centro de um luxuoso aposento, os estudos se desenvolviam com apartes inflamados na disputa da palavra.
- Espiritismo no meu entender é Ciência! - afirmou Resende.

- Concordamos! - anuíram alguns irmaos presentes.

- A filosofia espírita é tao profunda, a ponto de tornar prescindível qualquer tema religioso. - asseverou Raimundo.

- Eu entendo o espiritismo como religiao libertadora! - declarou com firmeza a Sra. Cândida.

Em meio ao calor das opinioes, o Dr. Oliveira pediu um aparte, sugerindo que fosse convocado o guia espiritual para avaliar as opinioes, no que todos concordaram.

Antônio, espirito amigo da família Oliveira, presente à reuniao, atendeu à convocaçao. Envolvendo a Sra. Resende, falou aos presentes:
- Caros irmãos, na esfera onde aprimoro meus conhecimentos, nossos orientadores, à guisa de nossas inquiriçoes, costumam contar histórias que estimulam nossa inteligência a encontrar as respostas que desejamos. Esta noite farei o mesmo; vou contar uma história...

" No fim do século 17, um pesquisador francês,vasculhando os poroes de um velho castelo em ruínas nas cercanias de Nantes, encontrou uma ânfora hermeticamente selada contendo centenas de graos; Eram sementes cuja qualidade nunca havia antes. Estusiasmado com a descoberta, convocou seus colegas cientistas para estudá-las. Em pouco tempo, as sementes foram rodeadas de mentes brilhantes que representavam a elite acadêmica da época.

Depois de muitos debates e conclusoes, resolveram fazer um teste. Juntaram três enormes vasos contendo terra de excelente qualidade, e em cada um deles plantaram uma semente. Passadas algumas semanas, elas germinaram.Porém, foi uma decepçao para todos; nada apresentavam de extraordinário. Mesmo depois de alguns meses, desenvolveram apenas frágil e tenro talo sem viço. Realizaram várias tentativas, mas em vao. As sementes não revelaram as qualidades que esperavam. O grupo de cientistas, decepcionado, incumbiu o zelador do laboratório a se desfazer das sementes.

O zelador, pessoa simples criada no campo, não achou de bom alvitre o que lhe ordenaram, e acabou plantando em suas terras as famosas sementes. Anos depois, tornou-se um rico agricultor, transformando o lugarejo onde morava em uma das regiões mais ricas em agricultura. Tudo devia àquelas sementes que produziam de forma espetacular.

Feliz, resolveu agradecer aos cientistas. Estes o receberam no laboratório; porém, espantados com as afirmações do zelador, cravaram-no de perguntas:
- Como o senhor conseguiu fazer germinar as sementes que aqui no laboratório, apesar de todos os recursos científicos, se revelaram estéreis?

O agricultor respondeu:
- Eu plantei uma semente numa cova e ela não vingou; então eu lembrei que algumas sementes devem ser plantadas juntas. Aí plantei duas, que também não vingaram. Mas quando eu coloquei três juntas... O resultado vocês conhecem!

Após esta narrativa, Antônio se despediu, deixando os presentes meditando sobre a moral da história.

(Por Irmão X).