Velhos Amigos




Dois amigos, que não se viam há muito tempo, reencontraram-se. Conversando, descobriram que tinham algo em comum: haviam se convertido ao espiritismo.

Seixas, o mais entusiasmado, deslumbrava o amigo com suas narrativas falando das suas experiências na doutrina espírita:
- É, meu caro Antônio, graças a Deus descobri a luz que me faltava! Desde entao, tenho dedicado minha vida ao enriquecimento do meu espírito eterno.

- Que bom! - exclamou Antônio.

- Sabe... - continuou Seixas - ainda ontem participei de um simpósio espírita. Adorei os temas discutidos! Alguns pesquisadores falaram sobre a comunicaçao dos espíritos através de aparelhos eletrônicos. É a ciência confirmando a vida eterna. Você deveria estar lá.

- Eu gostaria muito. Mas mal tenho tempo pra estudar...

- É uma pena, Antônio! Você deveria investir na luz do conhecimento. Eu já fiz vários cursos de espiritismo promovidos pelas mais renomadas instituiçoes. Participei de muitos congressos, inclusive de um internacional com a presençade famosos médiuns estrangeiros, onde aprendi muito sobre a aplicaçao do magnetismo e das forças psíquicas.

- Você tem razao. É pena que meu tempo seja tão pouco. - lamentou Antônio.

Seixas continuou...
- Na semana que vem vou participar de uma excursão cultural espírita. Vamos até a França visitar o túmulo de Allan Kardec! Mal posso esperar para conhecer de perto os lugares onde o nosso emérito Codificador cumpriu sua missão.

- Que bom! Fico feliz em saber do seu empenho e da sua dedicação.

- Qual nada, eu ainda preciso alcançar mais luz! O mês que vem vou participar de uma reunião de dirigentes espíritas. Já analisei os temas que vão ser discutidos e todos me interessam. Por isso, faço questão de estar presente. Por que você não vem? Seria ótimo!

- Bem que eu gostaria, mas não posso. Tenho muito o que fazer.

- Olha, meu caro Antônio, eu não tenho nada com a sua vida, mas você deve saber que do lado de lá não poderá alegar que não teve tempo. Aquele que quer, sempre arruma tempo para a luz. Afinal de contas, o que você faz que lhe causa tantos impedimentos?

- Sabe Seixas... quando eu comecei a estudar as obras básicas da codificação, em pouco tempo descobri que havia muitas trevas em mim, as quais nao poderia dissipar apenas com a fé e o conhecimento. Então resolvi agir. Há alguns anos, eu e alguns amigos criamos um grupo de trabalho onde começamos a atender os sofredores do caminho, socorrendo e esclarecendo a todos eles com a mensagem da Boa Nova. Graças a esse trabalho, conseguimos arregimentar recursos com os quais fundamos um orfanato, onde cuidamos de uma centena de crianças.

- Desde então, estou na direção dessa obra e isso me toma todo o tempo.
A manutenção do pão para as crianças até que não é difícil, porque existem corações generosos que nos ajudam. É na hora de distribuir amor para essas crianças que encontro maiores dificuldades, pois nem todos que colaboram nessa área estão preparados sufucientemente. Quem sabe você, com tanto conhecimento, poderia nos ajudar?

Naquele momento, Seixas foi acometido por um acesso de tosse... Tossiu... tossiu... tossiu... e, depois de vencer o pigarro, disse ao amigo:
- Sabe, Antônio... bem que eu gostaria, mas minha vida está voltada a tantos compromissos que não me sobra tempo pra nada. Por falar nisso, preciso ir... Tenho um encontro importante daqui a alguns instantes. Não posso me retardar! Prazer em revê-lo, meu caro Antônio!

Após dizer adeus ao amigo, partiu em passos ligeiros...

(Por Irmão X).