O Verdadeiro Eu



Depois de meditar por muitos anos, sem chegar a parte alguma, o discípulo resolveu que era hora de tomar uma decisão.

Assim, procurou o mestre e lhe falou:
- Por favor, mestre, eu já não sei mais o que fazer. Medito, medito, medito, mas não consigo alcançar o meu eu. Sinto que estou perdendo o meu tempo. Realmente, depois desses anos todos, eu ainda não sei quem sou.

- O senhor não poderia me ajudar a ver o meu verdadeiro eu?

O mestre não disse nada. Apenas olhou-o com descaso e continuou a fazer o que estava fazendo. O discípulo continuou a implorar a sua ajuda, mas o mestre continuou completamente alheio, sem lhe dar a mínima atenção, como se ninguém estivesse ali na sua presença.

Depois de muitas tentativas infrutíferas para que o mestre lhe ajudasse a descobrir o seu eu, o monge finalmente decidiu que só lhe restava partir e, virando as costas, foi saindo do local onde o mestre se encontrava.

Nesse exato momento, o mestre chamou-o pelo nome.

- Sim, mestre! , respondeu o discípulo, prontamente virando-se de volta.

Tranquilamente o mestre exclamou:
- Aí está o seu verdadeiro eu!

Tudo que há para ser descoberto a respeito de nós mesmos já está descoberto, sempre esteve presente. Só é verdadeiro o que é óbvio, simples e concreto.

Iluminação nada mais é do que alcançar essa evidência.