A Quem Orar?



Há vários anos passados, uma senhora que vivia uma vida esplêndida, gastando vultosas somas em trajes finos e em festas, sem nunca pensar na existência e soberania de Deus, decidiu esbanjar um pouco mais da sua fortuna, empreendendo longa viagem marítima.

Confortavelmente instalada na melhor classe de um luxuoso transatlântico, desfrutando de todas as atenções e de todos os entretenimentos que a sua fortuna lhe permitia gozar, os dias passavam céleres.

Após aproximadamente duas semanas de viagem em alto-mar, ela abordou um marujo que passava,indagando com certo interesse:
- Quanto tempo ainda vai demorar para chegarmos ao destino?

- Se Deus quiser, em cinco ou seis dias chegaremos ao final da viagem, senhora -foi a resposta delicada e concisa do marujo.

-Se Deus quiser... Que frase mais tola! - retorquiu a passageira com ironia e desprezo.-Onde está Deus? Não o vejo em nenhum lugar! O universo é todo governado pela lei do acaso, pela sorte; tudo acontece assim naturalmente, meu rapaz!

No dia seguinte, desencadeou-se uma violenta tempestade, colocando em sério perigo aquela gigantesca embarcação com todas as vidas que ali se encontravam.

Enquanto a tempestade rugia furiosamente, a opulenta dama, tomada de pânico e de incertezas, permanecia em seu camarote.

A quem recorrer naquelas horas de aflição, se não havia cultivado fé e nem confiança em Deus? Estava angustiada...

De repente, ela avistou o mesmo marujo que passava apressado junto ao seu camarote. Chamou o outra vez e indagou quase desesperada:
- O senhor também está preocupado com a situação? O que acha dela? Esta tempestade ainda assolará por muito tempo ou passará logo?

-Pelo que tudo indica, e também baseado em experiências passadas, tudo leva a crer que a tempestade ainda permanecerá por mais algumas horas...

-Então, por favor, ore muito para que não venhamos a perecer - suplicou a mulher ao marujo, toda trêmula de pavor.

Esse, com uma calma significativa, apesar de apressado, indagou:
- A quem devo eu orar, minha senhora? A lei do acaso ou à simples sorte?

Quantos zombadores atrevidos se têm acovardado diante das inevitáveis tempestades que açoitam as suas vidas. É fácil revelar descrença na força divina, quando tudo vai bem.

Todavia, nos momentos de agruras, inseguranças e sofrimentos, há sempre um vislumbre de Deus como o Criador, Sustentador e Dominador da sua obra majestosa!