A Prece



À noite, quando ponho os dois meninos para dormir, um com 6 e o outro com 3 anos de idade, nós seguramos nossas mãos e fazemos uma prece.

Apenas o de 6 anos e eu oramos. O de 3 anos, Josees, normalmente permanece quieto. Hoje à noite, eu pedi a Josees para dizer simplesmente "obrigado Jesus". Eu imaginei que deveria tentar que ele dissesse algo na prece. Em seu jeito ainda truncado de falar ele o disse, da melhor forma que poderia.

E então, terminamos nossa prece.

Normalmente, depois da prece, nós nos abraçamos e trocamos beijos de boa noite. Josees sempre deixa um ponto frio e molhado em minha testa, mas é um ponto que alivia e afasta todas as preocupações do dia.

Desta vez, quando terminamos, Josees disse, ao seu jeito, - Papai, eu quero falar minha prece de novo.

- Tudo bem. Eu concordei meio ressabiado.

Josees, com seu discurso truncado, Fez uma das preces mais tocantes que eu já ouvi. Agradeceu à Deus por sua família, individualmente, citando cada nome, por sua bicicleta (na verdade um velocípede), por sua cama, por nossa casa, e por mais um monte de outras coisas.

Foi um bonito momento.

Meus filhos me ensinaram que uma prece é muito mais do que algumas palavras decoradas. Elmer, o de 6 anos, agradeceu à Deus por seu travesseiro, suas roupas, sua cama, seus sapatos, e muitas outras coisas que eu jamais pensei.

Seria um adiantado estágio do materialismo? Não. É o estágio de ser grato pelo que se tem.

Sim, as crianças ensinam-nos muito. Eu nunca ouvi o Elmer pedir qualquer coisa na oração. Somente agradece pelo que lhe foi dado. Ele tem suas vontades e desejos, acredite-me, mas na prece, somente agradecimentos.

Após escutar as sinceras preces de uma criança, eu pensei em como eu nunca agradeci à Deus por tudo que tenho. Principalmente as "mais simples".

Antes de me deitar, eu tive que me ajoelhar e pedir, do fundo de meu coração:
- Pai, posso falar minha prece de novo?