Insólito Carinho


Derrama-te

em meus lábios

com teu gosto de mar,

traga para fora

todo o desejo,

todo o alento, e

todo grito

calado debaixo de um chapéu ou

extorquido em forma de verso,

num velho papel de embrulho!



Venha,

mas venha

encharcando o gelo fino,

adentrando em minhas entranhas,

dando-me força e coragem para

arriscar e riscar meus rabiscos,

ouvindo está voz que me chega

alva e reluzente como a luz

de um olhar infantil, como

um piano ao luar do sertão!



Flutue, mas flutue

instigante,

introspectiva,

onipresente,

deslizando insólita, escrevendo

pelos veios da face,

a serenidade

aflorada no pólos da alma,

a plenitude do olhar

vertida nos quatro cantos do coração!



(Auber Fioravante Junior)