NAS AFLIÇOES




Quando você sentir aquela sensação de aperto no coração, profunda tristeza e vontade incontrolável de chorar, não se tranque no quarto para chorar e se entregar à inércia, ao desânimo, ao desejo de nada fazer. Não se entregue.

Ao perceber os primeiros sinais, procure imediatamente distrair a mente; será mais fácil vencer o infeliz impulso logo no início. Saia para um pequeno passeio, para uma conversa amigável, procure alguma atividade no próprio lar, escute, cante e dance alguma música alegre; enfim, ocupe a mente, evitando concentrar-se.

Não permita que sentimentos de desagrado e de inconformação com a vida na atualidade e, muito menos com o passado, perturbem você e se transformem em idéias fixas, que lhe trarão mais infelicidade. O motivo central de nossos problemas psíquicos são os sentimentos e pensamentos infelizes que albergamos em nosso coração, às vezes por muitos e muitos anos. O ciúme, o ódio e a mágoa são freqüentes causas desses desequilíbrios.

Lembre-se de que "águas passadas não movem moinhos" e as situações de hoje devem ser contornadas com sabedoria; caso nos seja impossível evita-las, por não depender de nós, devemos nos conformar, aceitar como provas necessárias ao aprendizado de virtudes, como a paciência, a tolerância, a humildade e a abnegação.

Arranquemos de nossos corações as mazelas causadoras de nossos sofrimentos; só assim conquistaremos a paz que tanto almejamos.

Sim amigo, é perfeitamente possível conquistar a paz: depende de sua vontade. Sempre que procuramos combater nossas imperfeições, seremos, não tenhamos dúvida, amparados por entidades amigas.

No estado depressivo, navegamos entre a irritação e a apatia. Ficamos nervosos à toa, parece-nos que o mundo está contra nós, suspeitamos das intenções dos outros, ficamos desconfiados, exageradamente sensíveis e com facilidade ficamos magoados, aborrecidos ou revoltados com os familiares, amigos e sobretudo com as pessoas que nos são antipáticas (estamos sempre "com um pé atrás").

Quando apáticos, ficamos profundamente tristes, doloridos, angustiados, com o coração "apertado" e parecendo "nos faltar o ar"; choramos facilmente, sem motivo aparente. Queremos estar sós, procuramos nos isolar e muitas vezes nos refugiamos na cama.

(Do Livro "Aos Deprimidos..." - Homero Moraes Barros).